sexta-feira, 10 de junho de 2011

O ABUTRE



Uma das imagens que melhor retratou o nosso estilo de vida e nosso modelo de desenvolvimento teve como protagonistas uma menina, um abutre e um fotógrafo.
Já fazem alguns anos que Kevin Carter tirou a fotografia que o levaria a ganhar o prêmio Pulitzer de fotojornalismo, quando o objetivo de sua câmara tropeçou, no Sudão, com uma menina reclinada sobre seus largos ossos, sozinha e nua, a ponto de colapso.
Quando Carter recebeu o prêmio, amaldiçoou a hora em que tinha feito aquela foto. Meses depois, ele se suicidava. Nunca conseguiu deixar de vê-la.
Dos protagonisatas daquela história, somente um permaneceu vivo: o abutre.
Uma das conferências sobre alimentos que melhor expressou, em sua cínica impotência, o tipo de sociedade que temos construído, ocorreu recentemente em Roma, e teve como protagonistas a fome, a infância e a FAO.
Um terceiro mundo prostrado pela desnutrição e pela miséria insistia em reivindicar uma mudança de rumo que lhe traga, ao menos, a oportunidade de viver. “A fome não é terrorismo, mas enfermidade e má sorte” sentencia a lógica do mercado pela boca dos meio de comunicação que insistem em olhar para o outro lado. E já não está entre nós Kevin Carter, como para se suicidar ou mudar de ofício
Também dos protagonistas dessa história somente ficou um com vida: o abutre.