sexta-feira, 10 de junho de 2011

O ABUTRE



Uma das imagens que melhor retratou o nosso estilo de vida e nosso modelo de desenvolvimento teve como protagonistas uma menina, um abutre e um fotógrafo.
Já fazem alguns anos que Kevin Carter tirou a fotografia que o levaria a ganhar o prêmio Pulitzer de fotojornalismo, quando o objetivo de sua câmara tropeçou, no Sudão, com uma menina reclinada sobre seus largos ossos, sozinha e nua, a ponto de colapso.
Quando Carter recebeu o prêmio, amaldiçoou a hora em que tinha feito aquela foto. Meses depois, ele se suicidava. Nunca conseguiu deixar de vê-la.
Dos protagonisatas daquela história, somente um permaneceu vivo: o abutre.
Uma das conferências sobre alimentos que melhor expressou, em sua cínica impotência, o tipo de sociedade que temos construído, ocorreu recentemente em Roma, e teve como protagonistas a fome, a infância e a FAO.
Um terceiro mundo prostrado pela desnutrição e pela miséria insistia em reivindicar uma mudança de rumo que lhe traga, ao menos, a oportunidade de viver. “A fome não é terrorismo, mas enfermidade e má sorte” sentencia a lógica do mercado pela boca dos meio de comunicação que insistem em olhar para o outro lado. E já não está entre nós Kevin Carter, como para se suicidar ou mudar de ofício
Também dos protagonistas dessa história somente ficou um com vida: o abutre.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Ouvir Estrelas


Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas". 

UM POUCO DO DESCONHECIDO

CONHEÇAM AGORA UM TRABALHO, QUE ACHEI FANTÁSTICO, DE UM ARTISTA PLÁSTICO. http://www.romuloceldran.com/index.html







Artista que baseado no efeito de fotografias macro, cria objetos gigantes em uma coleção que ele chama de Zoom e Macro.

TOMEI UM CHÁ DE LISPECTOR



É que sinto falta de um silêncio. Eu era silenciosa.E agora me comunico, mesmo sem falar. Mas falta uma coisa. E vou tê-la. É uma espécie de liberdade, sem pedir licença a ninguém."


''Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...Ou toca, ou não toca.''


"...As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.A felicidade aparece para aqueles que choram.Para aqueles que se machucam.Para aqueles que buscam e tentam sempre.E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas."


"O hábito tem-lhe amortecido as quedas. Mas sentindo menos dor, perdeu a vantagem da dor como aviso e sintoma.Hoje em dia vive incomparavelmente mais sereno, porém em grande perigo de vida: pode estar a um passo de estar morrendo, a um passo de já ter morrido, e sem o benefício de seu próprio aviso prévio."


"Uma forma de ter é não desejar e, apenas acreditar que o silêncio q trago em mim, é a resposta ao meu mistério...''


Hoje mais do que nunca havia em mim a necessidade de dar a mão...
surgia em mim uma força insegura...como se fosse cair e não tivesse uma mão segurando a minha... vontade de um colo e sentir uma afago...

justamente nesse dia folheando Clarice, encontrei um trecho que define bem isso...

Dar a mão a alguém sempre foi o que esperei da alegria. Muitas vezes antes de adormecer - nessa pequena luta por não perder a consciência e entrar no mundo maior - muitas vezes, antes de ter a coragem de ir para a grandeza do sono, finjo que alguém está me dando a mão e então vou, vou para a enorme ausência de forma que é o sono. E quando mesmo assim não tenho coragem, então eu sonho....


...Por enquanto preciso segurar esta tua mão - mesmo que não consiga inventar teu rosto e teus olhos e tua boca. Mas embora decepada, esta mão não me assusta. A invenção dela vem de tal idéia de amor como se a mão estivesse realmente ligada a um corpo que, se não vejo, é por incapacidade de amar mais. Não estou à altura de imaginar uma pessoa inteira porque não sou uma pessoa inteira. E como imaginar um rosto se não sei de que expressão de rosto preciso?

Clarice Lispector

Antiguidades




Quando eu era menina
bem pequena,
em nossa casa,
certos dias da semana
se fazia um bolo,
assado na panela
com um testo de borralho em cima.
Era um bolo econômico,
como tudo, antigamente.
Pesado, grosso, pastoso.
(Por sinal que muito ruim.)
Eu era menina em crescimento.
Gulosa,
abria os olhos para aquele bolo
que me parecia tão bom
e tão gostoso.
A gente mandona lá de casa
cortava aquele bolo
com importância.
Com atenção. Seriamente.
Eu presente.
Com vontade de comer o bolo todo.
Era só olhos e boca e desejo
daquele bolo inteiro.
Minha irmão mais velha
governava. Regrava.
Me dava uma fatia,
tão fina, tão delgada...
E fatias iguais às outras manas.
E que ninguém pedisse mais !
E o bolo inteiro,
quase intangível,
se guardava bem guardado,
com cuidado,
num armário, alto, fechado,
impossível.
Era aquilo, uma coisa de respeito.
Não pra ser comido
assim, sem mais nem menos.
Destinava-se às visitas da noite,
certas ou imprevistas.
Detestadas da meninada.
Criança, no meu tempo de criança,
não valia mesmo nada.
A gente grande da casa
usava e abusava
de pretensos direitos
de educação.
Por dá-cá-aquela-palha,
ralhos e beliscão.
Palmatória e chineladas
não faltavam.
Quando não,
sentada no canto de castigo
fazendo trancinhas,
amarrando abrolhos.
"Tomando propósito".
Expressão muito corrente e pedagógica. Aquela gente antiga,
passadiça, era assim:
severa, ralhadeira.
Não poupava as crianças.
Mas, as visitas...
- Valha-me Deus !...
As visitas...
Como eram queridas,
recebidas, estimadas,
conceituadas, agradadas!
Era gente superenjoada.
Solene, empertigada.
De velhas conversar
que davam sono.
Antiguidades...
Até os nomes, que não se percam:
D. Aninha com Seu Quinquim.
D. Milécia, sempre às voltas
com receitas de bolo, assuntos
de licores e pudins.
D. Benedita com sua filha Lili.
D. Benedita - alta, magrinha.
Lili - baixota, gordinha.
Puxava de uma perna e fazia crochê.
E, diziam dela línguas viperinas:
"- Lili é a bengala de D. Benedita".
Mestre Quina, D. Luisalves,
Saninha de Bili, Sá Mônica.
Gente do Cônego Padre Pio.
D. Joaquina Amâncio...
Dessa então me lembro bem.
Era amiga do peito de minha bisavó.
Aparecia em nossa casa
quando o relógio dos frades
tinha já marcado 9 horas
e a corneta do quartel, tocado silêncio.
E só se ia quando o galo cantava.
O pessoal da casa,
como era de bom-tom,
se revezava fazendo sala.
Rendidos de sono, davam o fora.
No fim, só ficava mesmo, firme,
minha bisavó.
D. Joaquina era uma velha
grossa, rombuda, aparatosa.
Esquisita.
Demorona.
Cega de um olho.
Gostava de flores e de vestido novo.
Tinha seu dinheiro de contado.
Grossas contas de ouro
no pescoço.
Anéis pelos dedos.
Bichas nas orelhas.
Pitava na palha.
Cheirava rapé.
E era de Paracatu.
O sobrinho que a acompanhava,
enquanto a tia conversava
contando "causos" infindáveis,
dormia estirado
no banco da varanda.
Eu fazia força de ficar acordada
esperando a descida certa
do bolo
encerrado no armário alto.
E quando este aparecia,
vencida pelo sono já dormia.
E sonhava com o imenso armário
cheio de grandes bolos
ao meu alcance.
De manhã cedo
quando acordava,
estremunhada,
com a boca amarga,
- ai de mim -
via com tristeza,
sobre a mesa:
xícaras sujas de café,
pontas queimadas de cigarro.
O prato vazio, onde esteve o bolo,
e um cheiro enjoado de rapé.
Cora Coralina

DAS PEDRAS


Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.
Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.
Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.
Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude
dos meus versos.
                                         Cora Coralina

VERMELHO DA COR DO CÉU



OS DIAS TRANSCORREM NUMA TOTAL NOSTALGIA, DEBILITADOS A MAIS UM NOVO PÔR - DO- SOL. ME SINTO FORTE, DESCOMPROMETIDA E DESPOSTA A TUDO QUE ESTIVER POR VIR. SÓ NÃO ESTOU FELIZ. TAMBÉM, QUEM É QUE SE SENTE COMPLETO? NÃO SEI SE É PORQUE DERRAMO SENTIMENTOS A OUVIDOS QUE NEM QUER ME OUVIR. SÓ SEI QUE ESTOU DISPOSTA  A MAIS UM PADECIMENTO. MONTO E DESMONTO MINHA IRREVERÊNCIA NESSE PALCO DA VIDA E ME COMPLETO COM MEIA DÚZIA DE SOLIDÃO.
ANSEIO SAUDADE QUE NEM QUERO MAIS LEMBRAR. ESSAS COISAS DE SONHOS REALIZADOS JÁ NEM ME FAZEM MAIS SENTIDO. ALIÁS, O SENTIDO JÁ FOI LÁ NA ESQUINA E NUNCA MAIS VOLTOU, FAZEM ANOS. O QUE SINTO POR VOCÊ É BEM VERMELHO, DA COR DO CÉU, SABE? E SÓ É ENTENDIDO POR MEU INTERIOR. AFINAL ELE TE PERTENCE HÁ TEMPOS. SÓ TU ME LEU , COMO NINGUÉM. DESPERTO LEMBRANÇAS QUE SÃO TÃO... TÃO... TÃO TUAS E VÃO SE MISTURANDO NESSE DUELO DE:
MOMENTO NOSSO,
MOTIVO MEU
VONTADE TUA,
VERGONHA MINHA.
TOQUE TEU
CORPO MEU
SENTIDO NOSSO!
SE FEZ MAR, E SÓ SOSSEGA QUANDO ENCONTRA VOCÊ DE NOVO.

SEGUNDOS



SINTO UMA DÚZIA DE SAUDADES SUAS.
A MINHA FIDELIDADE AO RITMO DOS VERSOS É PRECISA.
INVOCAM TUA MUSICALIDADE BANDIDA, A CADA AMANHECER.
POIS SÓ ASSIM EU TE AMO.
TU- FONTE DE INSPIRAÇÃO.
TU- COLORIDO DE PRIMAVERA.
TU- MOTIVO DO MEU SORRIR VERSOS.
TU- LITERATURA.
TU- ARTE!
vento, sol e mar.
SOU- BEIJO APAIXONANTE E MELHOR.
SOU- PROMESSA CUMPRIDA.
SOU- ESPERA.
SOU- SAUDADE, AMOR E LIBERDADE!
PERSISTO EM TUA GRAÇA, FINDAREI CONTIGO.
SOU CAMINHO INDECISO.
PORQUE SONHAR? VAGO VÃO PENSAMENTO!
VOU PINTANDO EM LEVES TRAÇOS E CLAROS RISOS, POIS SÓ TU É QUEM LÊ MEUS VERSOS AFINAL...
NOSSOS COMUNS DESEJOS E ESPERANÇAS, GRITAM SILENCIOSAMENTE, NESSE INFINDÁVEL DESTINO, CHAMADO EU E VOCÊ!

ROMANCE

O MEU GÊNIO CRIADOR E ARTÍSTICO NUNCA ESTÁ INTEIRAMENTE SATISFEITO. ATÉ O DIA DE MINHA MORTE. INSTIGO-ME A BUSCAR, PÔR À PROVA, ESCOLHER NOVOS CAMINHOS DE ACESSO À ARTE DE REPRESENTAR, DE MODO QUE HESITO EM FAZER SÚMULA, QUAISQUER CONCLUSÕES, COMO SE FOSSEM DEFINITIVAS. SEMPRE ESPERO ENCONTRAR UM CAMINHO MELHOR PARA ATINGIR MINHA ELEVADA META.
POSSO RECEBER RESULTADOS BONS E ESTÍMULOS, PARA ENVEREDAR NOVOS E PESSOAIS CAMINHOS. GOZO DA VIDA OS MELHORES MOMENTOS. SEMPRE OLHO-A COM A PONDA DOS MEUS DEDINHOS, SEMRE SENSÍVEIS. PROSSIGO ESCREVENDO E VIVENDO A LONGOS TRAGOS, COMO O APRECIAR DO PÔR-DO-SOL. SÓ ASSIM, TORNO-ME CAPAZ DE PREENCHER "O PAPEL" DA VIDA REAL, PROPORCIONANDO, AOS QUE ME CERCAM O PODER DA PERSONAGEM QUE SOU, DE ELEVÁ-LOS AO RISO, ÀS LÁGRIMAS A EMOÇÕES INESQUECÍVEIS.
APRENDO COM AS EXPERIÊNCIAS. APRENDO TAMBÉM, A PENSAR E SENTIR POR MIM E PELOS OUTROS. MÚSICAS DIFERENTES ATRAEM AOS MEUS OUVIDOS.
VIVO NO ONTEM, BAGUNÇO O HOJE E MISTURO FUTURO. SOU PERSONA E PERSONAGEM.



terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Essa noite a me perguntar
Sobre essências ou aparências,
Pensei no trovão por coincidência...
A luz ou o estrondo do ar?
Ora estou cego ouço só o barulho,
Ora surdo vejo apenas a luz...
A minha curiosidade se seduz
por essa duvida onde me embrulho...
E se não pudesse ouvir nem ver?
Haveriam raios em meu mundo?
Em tudo que eu conheço a fundo...
Fechado e recluso de sensações ser...
E se todos que podem ver e ouvir
Tiverem outras várias limitações?
Poderão crer ou descrer de sensações
As quais nunca puderam sentir?
Cesso o pensamento feito chama
Chama da vida que me ascende
Vai daqui pra ali... Me transcende
Que me guia e meu calor emana...



quarta-feira, 24 de dezembro de 2008




Meu Impulso
Queria ouvir pulsar do encanto
Contido no céu nessa tua boca
E quem sabe então amar o véu
Das estrelas solitárias da noite
Todas elas sóis alinhando o céu
Sozinhas pela imensidão da voz
Que pôr ti chama e atiça o fogo
Uma prece comum de amor réu
Que você não escuta que espera
Fases claras das nossas escolhas
As palavras quaisquer já roucas
A esperança que delas ainda há
Mesmo na distancia importuna
Profunda das avenidas e do mar
Quem sabe ainda tocar sua mão
E beijar o mel doce da sua boca
E assim me livrar desse amargo
Que tão sério invade meu corpo ...